Notícias

A História de LEO

Postado em 17/10/2001


O tratamento dispensado pelo Zôo de Goiânia ao chimpanzé Léo (foto) virou caso de polícia. Membro da Sociedade Protetora dos Animais, o estudante Erick Brockes denuncia que o bicho estaria deprimido por viver isolado do grupo de sua espécie. (Foto: Weimer Carvalho)

LEO é um chimpanzé de 6 anos de idade e nasceu no Zoológico de Goiânia. Após seu nascimento foi retirado de sua mãe, possivelmente para ser negociado com alguém, como tantos outros bebês chimpanzés, existentes no país e no mundo. Foi criado como humano durante vários anos, até que um dia aqueles que o criavam perceberam que já não era possível controlá-lo, pois sua força estava aumentando. Não podiam fazer mais o que desejavam com ele, sua personalidade e preferências estavam se perfilando.

Com uma falta de preparo e conhecimento da vida dos chimpanzés, colocaram LEO de novo no recinto com o pai, o qual não o reconheceu mais como filho, e sim como um rival, que quase o matou. Então o retiraram às pressas de seus genitores, que passaram a não aceitá-lo mais, e o isolaram em um pequeno recinto no próprio zoológico.

Ninguém até esse momento percebeu a tripla barbaridade que foi cometida: humanizar um chimpanzé que tinha uma família própria; devolvê-lo a sua família quando já era impossível; e depois, isolá-lo de humanos e chimpanzés em um pequeno recinto, ignorando-o.

Nesse momento, um estudante de informática da Universidade de Goiás, Eric Helmuth Brockes, militante da causa de defesa dos animais, e membro da Associação Protetora dos Animais de Goiânia, foi quem descobriu LEO e assim começou a história de que podemos conduzir à recuperação de sua identidade como chimpanzé, da qual nunca deveria ter sido arrancada.

Eric, como não tinha autoridade nem conhecimento de alguma pessoa que se interessasse por este caso, começou a contatar entidades no exterior. Um desses e-mails que ele enviou caiu em mãos receptivas. Gerard de Nijs, da APES Foundation da Europa, informou a Eric o contato do GAP PROJECT BRASIL, e começamos a assessorá-lo em seu trabalho meritório. Eric fez denúncias públicas, apareceu em primeira página de jornais de Goiânia e em programa de televisão denunciando a HISTÓRIA DE LEO. Entrou com representação na Delegacia do Meio Ambiente, que fez uma peritagem em LEO e em suas condições comportamentais. LEO neste momento não sabe quem é, um humano ou chimpanzé. Foi machucado por chimpanzés adultos e vive aterrorizado de que isso possa acontecer de novo. Vive isolado e abandonado de sua família adotiva, que o converteu em um “não-chimpanzé” durante vários anos.

Diante desta pressão da mídia, a direção do Zoológico de Goiânia tomou outra decisão absurda, a de tentar uma nova reintrodução de LEO, agora com as fêmeas adultas. Ante esta notícia, tanto Eric como nós, denunciamos ao IBAMA, para solicitar sua interferência, já que se fizessem isto, LEO poderia ser morto. O IBAMA fez uma reunião com a direção do Zoológico, deu 30 dias para que eles apresentassem um programa de possível reintrodução com adultos, ou ele seria transferido para outro local onde existam chimpanzés jovens, com os quais ele possa se adaptar. Na época, oferecemos tanto ao Zoológico como ao IBAMA as instalações do nosso Santuário de Grandes Primatas para fazer essa reintrodução, já que temos um grupo de chimpanzés bebês, que poderiam integrar-se com LEO. No entanto, a última informação que recebemos de Eric foi que o Zoológico de Goiânia decidiu enviá-lo para o Zoológico de Brasília, onde considera-se possível fazer essa reintrodução.

Contamos esta história, já que o exemplo dado por Eric de descobrir o caso de LEO, noticiá-lo, defendê-lo e vigiá-lo por todo este tempo, é um caso extraordinário de ser humano, ainda muito jovem, porém imbuido do espírito de respeito a Natureza e aos Animais, que deveria nortear todos nós.

Hoje, a esta mesma hora, existem muitos outros chimpanzés no Brasil que estão sendo maltratados, abusados, ridicularizados e explorados comercialmente, por seres humanos sem escrúpulos. Juntemos nossos esforços e sigamos o caminho que Eric em Goiânia tem traçado, onde exista um Chimpanzé maltratado, comunique ao GAP e vamos tentar libertá-lo da opressão dos humanos.