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A arte de se fazer trilha

 
Trilha. Por definição, é um caminho ou estrada de passeio terrestre usado para caminhada ao ar livre, ciclismo ou outras atividades de locomoção. Já reparou que inconscientemente, ou não, marcamos os caminhos de nosso dia-a-dia? Esse hábito de fazermos e traçarmos nossos caminhos pode ser chamado de “memória de DNA”, ou seja, uma característica que trazemos de nossos antepassados até os dias de hoje. E assim como nós, os chimpanzés também preservam essa memória. Nosso ancestral comum, há cerca de 5 milhões de anos, possivelmente também trilhava seus caminhos como uma forma de marcar um melhor percurso para uma fonte de alimento ou água, por exemplo. Hoje, tempos depois, tantos os humanos primitivos como os humanos contemporâneos ainda preservam esse costume. Para irmos ao trabalho, escolhemos sempre um caminho. Do nosso quarto até o banheiro, ou da sala ao quintal, não seguimos um roteiro pré-definido? Não temos e não fazemos nossas próprias trilhas? É só reparar.

No Santuário de Sorocaba é fácil observar esse comportamento de trilha, tanto dos funcionários como dos próprios chimpanzés. Observando os chimpanzés pelas lajes, fica clara a marcação que fazem em seus recintos, com caminhos padronizados que ligam os recintos aos quartos e janelas, por exemplo. Tais trilhas seguem, geralmente, um padrão: são rentes às janelas e passam por dentro dos túneis de alvenaria dos recintos.

Esses caminhos não são por acaso e tem sua razão de assim serem. A escolha é feita por comodidade, como nós fazemos os nossos. Pelas janelas porque é de onde eles têm uma visão do que acontece ao redor e por onde podemos interagir com eles. Já os túneis dão-lhes segurança durante o trajeto, além de muitas vezes servirem como local de descanso, tal como as casas de alvenaria e cesto aéreos.

Assim, da próxima vez que perceber que você está seguindo sempre um mesmo caminho, lembre-se que não é o único e que não está sozinho!

MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo