Projeto GAP

Curiosidades - Informações

Culinária para chimpanzés

 

SANTUÁRIO DE SOROCABA

Tudo começou como uma brincadeira meses atrás. Eu separava um pouco do nosso almoço no santuário, distribuía em potes plásticos e servia nas bandejas do meio dia para alguns chimpanzés, que já tinham demonstrado muito interesse por comida caseira.

Atualmente temos uma cozinha industrial, com uma cozinheira dedicada de manhã a preparar os pratos do cardápio que eles mais apreciam. Talvez não exista um santuário no mundo que tenha desenvolvido um cardápio para chimpanzés, segundo as preferências individuais de cada um.

Quando começamos a preparar pratos caseiros para os chimpanzés, fazíamos quase sem tempero, porém percebemos logo que eles não os aceitavam, quando oferecemos do nosso almoço temperado aí a reação de preferência era imediata. Então começamos a desenvolver um cardápio durante os quatro dias em que estou no santuário. No início preparamos arroz, feijão, com carne moída um dia, em outro um prato de macarrão com carne, outro dia um prato de sopa com coração e partes de frango e em outro dia uma maionese.

Depois de algum tempo percebemos que isso não era suficiente, deveríamos ser mais criativos, a fim de evitar o cansaço dos "gourmets que atendíamos". Paramos de fazer sopa, e só serviremos no inverno, em dias frios, tiramos o arroz e feijão, que eles se cansaram e voltaremos a dar eventualmente, e começamos a mudar os temperos do macarrão em diversas modalidades.

Decidimos dar frango assado. Eu levei um frango pronto com batata e polenta, quando passei pelo Frango Assado, e o dei a alguns no dia seguinte. Teve muito sucesso. Então preparamos um prato de frango assado feito por nós e distribuímos em potes de plástico. Alguns chimpanzés que mostraram preferência, demos as coxas separadas, embaladas em papel manteiga, que eles comem com delícia. Charles, por exemplo, chora quando vê que tem duas coxas para ele, além do prato do dia. Carol e Alex brigam pelas mesmas. Luke é o primeiro que pega de sua bandeja.

Porém isto não era suficiente. Alguns não aceitavam a maionese e outros não aceitavam o frango, então tínhamos que diversificar mais o cardápio e personalizá-lo. A coisa está cada dia mais complicada. Estamos agora com um restaurante montado para 40 chimpanzés apreciadores da boa mesa (o grupo de Guga não gosta de comida caseira por enquanto). Ontem fizemos um prato diferente, almôndegas de carne, com batatas fervidas, tudo bem temperado. Foi um êxito. As fotos mostram como eles desfrutam do novo cardápio.

Nas bandejas do meio dia, como se vê na foto, além da comida com o prato do dia, juntamos uma gelatina, uma barra de cereal, um pedaço de bolo, algum tipo de chocolate e fatias de pão. Tem algumas variantes, às vezes, damos doce de leite ou mel, ou algum outro doce. Tudo vai acompanhado com um litro de suco de soja ou de frutas (um por chimpanzé),  uma garrafa com achocolatado ou caixas de litro de leite integral, para aqueles que apreciam muito o leite, como as bolivianas Queenie e Francis.

Nesta semana decidimos fazer um levantamento apurado das preferências de comida de cada um, para tentar atender a todos os gostos, e sermos eficientes nos pratos que preparamos. Agora que estamos com abundante estoque de carne, devido a presença do leão Zeus e da tigresa Chitara, que comem 5 quilos de carne por dia, vamos ter matéria-prima para fazer mais variedades de pratos para os chimpanzés.

É importante salientar que uma boa parte dos chimpanzés faz questão de comer com garfo os pratos do dia e quando esquecemos dos mesmos, eles nos pedem ou reclamam. A comida também é aquecida no microondas antes de ser colocada nas bandejas e entregue para cada chimpanzé "gourmet".

É impressionante ver Alex e Carol negociando os pratos quentes quando os levamos. Carol é extraordinariamente gulosa e Alex também, porém eles se amam e sabem compartilhar. Geralmente, Alex cede aos pedidos de Carol. No domingo passado, demos frango assado com batata e eu levei um pouco de maionese do nosso almoço. Carol queria ambos pratos. Então Alex comeu um pouco da maionese e deu uma boa parte do resto para Carol, assim  como dois pratos de frango, e ele ficou com um. Uma negociação, intermediada pelo sentimento intenso que os une, é um exemplo para os humanos, e nós temos o privilégio de observá-los e conviver com eles.

Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional

SANTUARIO DE SOROCABA