Curiosidades - Informações
Chimpanzés: assim como nós, todos diferentes!
SANTUÁRIO DE SOROCABA
Há uma certa lenda, ou história mal contada quando abordamos a relação entre chimpanzés e a água. Em um primeiro momento, a grande maioria da literatura diz que eles não se combinam, tendo verdadeira aversão à água. No entanto, podemos ver chimpanzés em vida livre brincando à beira d'água e até mesmo atravessando um rio com água até a cintura, como vemos em filmagens do Congo. Em cativeiro, como no Santuário de Sorocaba, encontram-se os dois lados dessa moeda: os que adoram água e os que odeiam água.
Em tempos de calor, como parte do enriquecimento, ofertamos água diretamente da mangueira, principalmente para aqueles cujo recinto não dispõe de piscina. Alguns chimpanzés respeitam e não tentam pegar e/ou puxar a mangueira; outros, no entanto, tentam puxá-la para dentro do recinto. Assim, para que se evite qualquer tipo de imprevisto, colocamos a mesma rente a grade, de maneira a possibilitar uma queda d'água. E as reações são as mais diferentes.
Assim como cada pessoa tem sua personalidade, entre os chimpanzés não é diferente. Pinho e Nega se esbaldam com a água, lavando-se, esfregando as mãos, o rosto, os pés e até se viram de costas para que a água caia sobre seus corpos. Uma vez molhada, Nega se deita de costas e começa a esfregar suas mãos e pés de maneira frenética, espirrando água para todos os lados, juntos com gritos de alegria. Pinho, mais discreto, prefere encher a boca com água e lavar alguns objetos, como sapatos e potes vazios de iogurte. Vitor, no entanto, restringe-se apenas a saciar sua curiosidade e beber alguns goles de água, e quando muito, lavar sua mão. Mônica e Martin, ainda mais precavidos, preferem se dependurar na grade para não molharem os pés e, claro, tomando o maior cuidado para que não molhem nada além da boca.
Jhango e Júnior, que vivem juntos, apresentam uma mescla desses dois comportamentos. No início parecem não querer se molhar, mas depois, conforme os respingos de água vão molhando, se entregam totalmente à diversão, lavando as mãos, pés e o rosto. Charles e Caco são outros exemplos dos que adoram água. Sempre que oferecemos água na mangueira, eles passam minutos de alegria e descontração, bebendo água e se limpando.
Sendo assim, generalizações no que diz respeito aos chimpanzés não devem existir, afinal, assim como nós, cada um tem sua personalidade e seu jeito de ser, devendo, portanto, ser tratado individualmente de acordo com suas necessidades. Ou você ainda acha que todos os seres humanos, primitivos ou não, são todos iguais?
Msc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo
SANTUARIO DE SOROCABA




