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Por quê os Grandes Primatas Precisam Ter Direitos Iguais aos Nossos

Postado em 08/05/2002


A seguir reproduzimos parte de uma matéria publicada na Revista Planeta, edição de abril/ 2002, que trata por si mesma do por quê os Grandes Primatas precisam ter os mesmos direitos que os humanos:

“A zoologia contemporânea vai inclusive muito mais além ao afirmar – com provas – que os animais superiores não apenas são dotados de afetividade e emoções, mas também de inteligência. Na Universidade da Georgia, Kanzi, chimpanzé-bonobo de 22 anos, pode acender o fogo com um isqueiro e cozinhar sua própria comida numa panela. Ele a enche de água, fecha a torneira, coloca a panela sobre o gás e, com a ajuda de uma colher, remexe a farinha de batata até transformá-la em purê. Sem esquecer de provar, de vez em quando, para ver se já está bem cozida. Kanzi compreende perfeitamente o inglês. Não pode responder diretamente, pois, como todos os símios, não é dotado da palavra. Mas pode se exprimir por intermédio de um teclado que contém cerca de 250 vocábulos (objetos, adjetivos, verbos, conceitos). Tocando as teclas, os termos ingleses são enunciados por uma voz sintética que formula as respostas do bonobo. Ele diz, por exemplo: “Eu gentil e bonito”. Ou então: “Quero cafuné”, “Quero uma revista de quadrinhos, já!” “Vá embora, não quero te ver”. Mais que isso, é capaz de combinar palavras para criar expressões novas. Por exemplo: “Bonita pulseira-de-dedo! Dá para eu?”, para se referir ao novo anel que sua treinadora estava usando.

Na Gorilla Foundation, sempre nos Estados Unidos, a gorila Koko compreende mais de duas mil palavras em inglês e manipula mil sinais de “ameslan”, a língua dos surdos-mudos americanos. Através dessas gesticulações, Koko conversa com seus tratadores formando frases de três a seis palavras. Ela manifesta humor, raciocínio abstrato e é capaz de mentir despudoramente. Seu QI é avaliado entre 70 e 95, mais alto que o de muitos humanos. Para ter um filho, Koko escolheu seu namorado entre vários pretendentes que lhe foram propostos numa tela de vídeo. Ao encontrar quem ela queria, deu saltos de alegria e “disse”: “Koko apaixonada. Tragam ele. Coração de menina bate!”

Não há mais nenhuma dúvida de que os grandes símios – gorilas, chimpanzés, orangotangos e bonobos – são capazes de aprender línguas humanas; 98,4% dos seus genes são idênticos aos nossos. São capazes de utilizar instrumentos e de ensinar o seu manejo aos filhotes. Conhecem o uso de plantas medicinais e fazem caça organizada. Inteligentes, sensíveis, eles certamente compartilham com o homem um ancestral comum. São agora objetos de uma iniciativa revolucionária: diversos cientistas do mundo todo trabalham para que sejam estendidos também aos grandes símios os direitos humanos.”