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Expressão Genética Diferencia Humanos e Chimpanzés.

Postado em 30/09/2002


A principal distinção entre chimpanzés e humanos pode estar na expressão de genes em proteínas, sobretudo no cérebro. Embora as duas espécies de primatas compartilhem cerca de 99% do código genético, o modo como a informação codificada no DNA é convertida em diferentes proteínas pode ser a maior diferença entre elas. A conclusão foi apresentada na revista Science de 12 de abril por pesquisadores da Alemanha, Holanda e Estados Unidos.
O estudo indica que a distinção genética entre homens e chimpanzés não é qualitativa – relativa à estrutura do DNA ou das proteínas codificadas pelos genes. Ela residiria sobretudo na quantidade da expressão de genes em proteínas. Os pesquisadores notaram também que a forma como os genes se expressam nas duas espécies é mais diferenciada no cérebro do que em outras partes do corpo.

Os cientistas compararam em amostras de sangue, fígado e cérebro de humanos e chimpanzés os níveis de RNA mensageiro – molécula responsável pela conversão da informação codificada no DNA em proteínas. Para as amostras de fígado e sangue, constatou-se que os homens são mais próximos dos chimpanzés do que estes em relação a outros primatas. A comparação entre amostras de cérebro, no entanto, indicou que, no que diz respeito ao padrão de expressão dos genes, os chimpanzés são mais próximos de outros primatas que de humanos.

A expressão de genes em proteínas foi analisada em duas espécies de ratos tão geneticamente distantes quanto humanos e chimpanzés para controle das diferenças observadas entre os primatas. Nos ratos foi constatado número menor de diferenças no padrão de expressão genética. Segundo os pesquisadores, durante o processo evolutivo, os humanos parecem de alguma forma ter acelerado de forma seletiva a taxa de mudanças na expressão genética em relação ao chimpanzé. Em humanos, as diferenças de expressão se acumularam até cinco vezes mais rapidamente.

Ajit Varki, professor de medicina na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e co-autor do artigo, conta à CH on-line que o estudo das diferenças entre homens e chimpanzés pode esclarecer as causas genéticas por trás de doenças que parecem ser mais nocivas aos humanos. “Vem daí a necessidade do estudo do genoma dos chimpanzés”, justifica. Em chimpanzés, observa Yarki, a freqüência e intensidade de manifestação de doenças como AIDS, mal de Alzheimer, câncer ou malária é mais branda.

Em artigos pioneiros publicados em 1998, Yarki e sua colega Elaine Muchmore, também da UCSD, indicaram as primeiras diferenças bioquímicas e genéticas conhecidas entre humanos e chimpanzés. “Apontamos dois genes que apresentam mutação específica em humanos”, esclarece. No homem foi constatada a ausência de um átomo de oxigênio na molécula de ácido siálico, um componente da superfície celular. Atualmente, Yarki seleciona para futuras pesquisas algumas das diferenças na expressão genética verificadas entre humanos e chimpanzés no estudo recém-publicado.
Raquel Aguiar
Ciência Hoje