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Chimpanzé Black é transferido para o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba

Postado em 06/05/2019


Black

Depois de 15 anos de luta e muitas negociações, o chimpanzé Black, com idade estimada de 50 anos, foi finalmente transferido do zoológico “Quinzinho de Barros”, em Sorocaba, para o Santuário de Grandes Primatas na mesma cidade, espaço afiliado ao Projeto GAP.

A mudança de Black foi agendada para esta segunda, dia 6, e o plano montado pelas equipes do zoológico e do santuário teve como prerrogativa não usar sedação, para evitar riscos. A operação começou às 8h e por volta das 13h Black entrou na caixa de transporte e fez a viagem de 23 quilômetros até sua nova casa.

Agora Black passará por um período de quarentena, normal para todo novo morador que chega ao santuário, e depois a prioridade será integrá-lo com outros chimpanzés.

Nova adaptação

Black foi usado em circo quando era jovem e há cerca de 40 anos foi morar no zoológico de Sorocaba. Boa parte desse tempo viveu com a chimpanzé Rita, que faleceu em 2011, e desde então vive sozinho. 

A vida no santuário não é totalmente inédita para Black. Em 2004, ele e Rita passaram alguns meses no local enquanto seu recinto era reformado no zoo. Na época houve uma tentativa de manter os animais no santuário, mas sem sucesso.

Em 2014, com Black já vivendo solitário, o GAP e outras ONGs fizeram uma campanha para a sua transferência definitiva para o santuário, que contou inclusive com o apoio do Grupo de Grandes Primatas da ONU (GRASP). Porém, mais uma vez, a Prefeitura recorreu e conseguiu mantê-lo no zoológico.

Decisão da Justiça

Em 2018, as ONGs Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e Associação Sempre pelos Animais de São Roque entraram com um processo exigindo a transferência de Black e foi travada uma batalha judicial.

As ONGs recorreram da decisão em 1ª instância, que negou a mudança de Black. Finalmente, em abril desse ano, o Tribunal de Justiça de SP decretou a transferência, embasado nos argumentos de que sua qualidade de vida no santuário será muito melhor, vivendo em recintos maiores, sem o estresse causado pela exibição ao público e tendo chance de interagir e usufruir da companhia de outros chimpanzés.